microagulhamento

IPCA (microagulhamento)

IPCA é a terapia de Indução Percutânea do Colágeno por Agulhamento. Ela ficou popularmente conhecida como Microagulhamento por ser um procedimento no qual são usadas diversas microagulhas esterilizadas e de aço cirúrgico ou titânio dispostas em um “roller” dermatológico descartável (que tem, em média, 200 agulhas), para facilitar sua aplicação.

O comprimento das agulhas pode variar de 0,25 até 3 milímetros e ter diâmetro de até 0,8 milímetros. Estima-se que uma agulha de 3 mm, por exemplo, penetre 1,5 a 2 mm na pele. Quanto mais agulhas existirem por fileira no aparelho, menor é a penetração das mesmas. O comprimento das agulhas e pressão utilizada varia de acordo com a indicação do tratamento.

Esse rolo é aplicado na pele provocando pequenas punturas que aumentam a vasodilatação, estimulam a formação de colágeno e elastina para restaurar a pele e também aumentam a absorção de alguns medicamentos direto na pele, o chamado drug delivery.

A IPCA pode ser feito em homens e mulheres e em qualquer lugar do corpo como rosto, colo, pescoço, mãos, braços, seios, coxas, abdome, entre outros. Ela inclusive pode ser feita no couro cabeludo (estímulo da circulação sanguínea da região).

Está indicada nas seguintes condições:
• Cicatrizes de acne;
• Estrias;
• Rejuvenescimento;
• Rugas e linhas de expressão;
• Tratamento da alopecia (queda de cabelo);
• Celulite;
• Melhora de cicatrizes pós-operatórias ou pós-traumáticas;
• Melhora da flacidez e elasticidade da pele;
• “Drug delivery” de fármacos na pele.

É recomendável aplicação de anestésico tópico 30 e 50 minutos antes do procedimento. São realizados movimentos de vai e vem com o aparelho em toda área tratada. Em média são feitas de 10 a 15 passadas em um mesmo plano e pelo menos quatro cruzamentos na área de rolagem. Há produção de sangramento que pode variar de acordo com a espessura da agulha e cessa após alguns minutos.

Em geral são feitas entre três e quatro sessões de microagulhamento, com intervalo de 30 a 60 dias, para recuperação da pele. Mas a quantidade de sessões e intervalo podem variar de acordo com a finalidade do tratamento, do fototipo do paciente e das características da agulha usada.

O tratamento deve ser realizado exclusivamente por médicos, de preferência dermatologistas; nunca por profissionais não médicos, e nunca pelo paciente em casa pelo risco de complicações muito sérias como desenvolvimento de cicatrizes, escurecimento da pele e infecções.

Após a terapia com a IPCA, a pele apresentará descamação, crostas superficiais, vermelhidão, ardor e um leve inchaço, além de sensibilidade ao frio, calor e sol. O uso de água termal para acalmar a pele é indicado, além de cicatrizantes com antibióticos, prescritos pelo dermatologista. Deve-se evitar água quente e manipulação da área tratada nas primeiras 24 horas após o procedimento.

Em três ou quatro dias a pele começa a descamar. No sétimo dia a textura e o viço melhoram. Após 20 dias melhora a pigmentação da pele e, a partir de 45 dias, nota-se a redução das rugas.

É importantíssimo evitar a exposição solar nos primeiros 45 dias e sempre usar filtro solar adequado a pele, em geral com fator de proteção solar maior do que 30, para evitar formação de manchas.

Pacientes em uso de anticoagulantes ou com problemas de coagulação sanguínea, diabetes não controlado, câncer cutâneo, lesão ou doença de pele em atividade (acne, herpes, psoríase, entre outras) na região que será tratada estão todos contra-indicados a se submeter ao microagulhamento.

Pessoas com propensão a queloides devem ser avaliadas, e podem ser contraindicadas ao microagulhamento em algumas regiões do corpo.

Algumas das complicações que podem ocorrer são: herpes, infecção secundária, escurecimento local, principalmente quando os cuidados orientados não são seguidos.

É importante certificar que o equipamento (“roller”) possua registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Essa certificação garante a qualidade do produto (em relação ao aço utilizado, número de agulhas, comprimento e diâmetro das agulhas etc), a esterilização do mesmo e dessa forma evita-se contaminações e complicações.

________
Referências: SBD, SBCD, Tratado de Dermatologia de Fitzpatrick e Manual de Dermatologia Clínica de Sampaio e Rivitti
Colaboração: Dra. Daniela Velozo – médica dermatologista